Começou o torneio mais aguardado do ano: Aberto de Palermo
3 de novembro de 2025
Dois dias após a final do 85º Aberto de Tortugas, o 132º Torneio Aberto de Polo da Argentina
teve início no sábado, 1º de novembro, em Palermo, no estádio "La Catedral".
Este é o melhor torneio do mundo, aquele em que todo jogador de polo do planeta sonha em jogar.
Como de costume, Palermo, diferentemente de Hurlingham e Tortugas, terá 10 equipes participantes: as oito que jogaram nos dois torneios anteriores e duas que se classificaram através do Torneio de Qualificação – La Dolfina II e La Zeta Kazak.
Ao contrário dos anos anteriores, vale ressaltar que este torneio de Palermo oferece a possibilidade de uma equipe conquistar a Tríplice Coroa, algo que não acontece desde 2015, quando La Dolfina, com Adolfo Cambiaso, Pelón Stirling, Juanma Nero e Pablo MacDonough, a conquistou pela última vez. Hoje, a principal atração é La Natividad La Dolfina, a dupla Cambiaso-Castagnola, fruto da fusão das duas equipes de Cañuelas, que vêm de vitórias no Hurlingham Open e no Tortugas Open. Se vencerem, Adolfo Cambiaso ficará a apenas um passo de Juan Carlitos Harriott em número de títulos em Palermo – Cambiaso tem 18 e o inesquecível Juan Carlitos, 20.
E tem mais: La Natividad La Dolfina conta com dois campeões em título no seu plantel, Barto e Jeta Castagnola, vencedores em Palermo em 2023 e 2024. Os irmãos vão em busca do seu terceiro título consecutivo.
Outro detalhe importante é que Palermo terá Pelón Stirling, que anunciou a sua aposentadoria da Tríplice Coroa no ano passado. O uruguaio jogará ao lado de La Zeta Kazak, a equipe que se classificou após uma partida memorável contra La Aguada, graças, em grande parte, aos três gols do uruguaio no último chukker. Pelón tomou a decisão de retornar como uma homenagem ao querido e saudoso Rufo Lauhlé, que jogaria com seu irmão Beltrán, mas que faleceu tragicamente muito jovem, com apenas 15 anos, em um acidente de trânsito em janeiro passado. Beltrán também estará ausente da estreia de La Zeta Kazak no Open e será substituído por Facundo Cruz Llosa, que atualmente disputa a Copa Cámara de Diputados com La Aguada… justamente com a mesma formação que perdeu para La Zeta Kazak na fase de qualificação.
Tudo está pronto para o início do mais importante torneio de polo do mundo, com novas equipes e a possibilidade de conquistar a Tríplice Coroa.

O placar registra o gol, mas raramente revela onde o jogo foi perdido. Em partidas de polo, o momento decisivo quase nunca é o último toque na bola, e sim a sequência de pequenas decisões que antecedem a finalização. Falhas de posicionamento, leitura equivocada do jogo, escolha errada do cavalo ou atraso de frações de segundo no tempo de bola criam vantagens que o adversário sabe transformar em resultado. Quando uma equipe sofre um gol, a atenção costuma se voltar para quem marcou ou para quem tentou o último bloqueio. No entanto, o erro mais determinante normalmente acontece antes, muitas vezes longe da bola. Um jogador fora da linha correta abre um corredor. Uma leitura tardia obriga um companheiro a se expor. Um cavalo usado no momento errado perde intensidade no lance seguinte. Nada disso aparece no marcador, mas tudo isso constrói o cenário que leva ao gol. O polo é um esporte de ocupação de espaço em alta velocidade. Manter o posicionamento correto não é apenas uma questão estética ou disciplinar, é o que sustenta a estrutura coletiva do time. Quando um jogador abandona sua função sem necessidade, a equipe perde equilíbrio. Esse desequilíbrio não gera um gol imediato, mas cria uma reação em cadeia que favorece o adversário. A falha não é visível para quem observa apenas o resultado, mas é clara para quem lê o jogo. A leitura do tempo de bola é outro ponto crítico. Antecipar não significa apenas correr mais rápido, mas compreender o ritmo da jogada. Chegar cedo demais quebra a linha. Chegar tarde expõe o corpo e o cavalo. O erro de tempo raramente vira estatística, mas quase sempre força uma decisão defensiva de risco, que termina em falta, perda de posse ou espaço concedido. O uso do cavalo também influencia diretamente essas situações. Cada animal responde de forma diferente à intensidade, ao terreno e ao momento da partida. Escolher o cavalo errado para um chukker específico não é um erro visível, mas afeta aceleração, capacidade de recuperação e resposta nos duelos. Quando o cavalo perde rendimento, a jogada seguinte já nasce comprometida, mesmo que ninguém perceba imediatamente. Essas falhas não são erros individuais isolados. Elas impactam o coletivo. Um jogador fora do lugar altera a leitura dos outros três. Uma decisão atrasada desorganiza a recomposição. Um cavalo cansado força ajustes improvisados. O placar só acusa o final desse processo, não sua origem. Por isso, o erro mais caro no polo não é o gol sofrido, mas o que o tornou possível. Ele acontece segundos antes, em detalhes que passam despercebidos para quem olha apenas o resultado. Equipes consistentes são aquelas que reduzem esses erros silenciosos, mantendo leitura, posicionamento e decisões alinhadas durante toda a partida. Entender isso muda a forma de assistir, treinar e jogar polo. O jogo não é decidido apenas nas finalizações, mas na qualidade das escolhas feitas longe do placar. É ali que partidas equilibradas se definem e temporadas vencedoras se constroem.








