Aberto de Palermo: UAE e Sol de Agosto vencem no primeiro dia
3 de novembro de 2025
O tão aguardado 132º Campeonato Aberto de Polo da Argentina começou no sábado, 1º de novembro, com uma rodada dupla em Palermo, onde UAE e Sol de Agosto saíram vitoriosos sobre La Zeta Kazak e Los Machitos, respectivamente. Foi sem dúvida um primeiro dia memorável para a edição de 2025, repleto de drama e suspense, incluindo até mesmo prorrogação no campo um.
UAE e La Zeta Kazak começaram sua partida no campo dois. Para a UAE, era um jogo crucial, já que haviam perdido a final do Hurlingham Open e a semifinal do Tortugas Open, então precisavam de uma vitória para manter suas esperanças vivas. A organização do Oriente Médio teve um ótimo começo, vencendo o primeiro chukker por 3 a 1; mas talvez não esperassem uma partida tão equilibrada. La Zeta Kazak, em seu segundo Aberto da Argentina consecutivo após se classificar pelo torneio, estava determinada a dificultar as coisas para a UAE e fez um primeiro tempo impressionante, enquanto a UAE lutava para se manter na partida. Lorenzo Chavanne, Facundo Llosa e Pelón Stirling foram cruciais para a equipe franco-argentina, que foi para o intervalo com uma vantagem de 7 a 6.
Mas a equipe dos Emirados Árabes Unidos reagiu nos dois chukkers seguintes. Lukin Monteverde empatou o jogo em 7 a 7 no quinto chukker, mas La Zeta Kazak retomou a liderança graças a um pênalti convertido por Lorenzo Chavanne. No entanto, o sexto chukker foi dos Emirados Árabes Unidos, que marcaram 4 a 0 contra La Zeta Kazak, ampliando a vantagem para 11 a 8. Embora Polito Pieres tenha marcado para dar aos Emirados Árabes Unidos uma vantagem de 12 a 8 no sétimo chukker, La Zeta Kazak não desistiu: dois gols de Lorenzo Chavanne reduziram a diferença para dois (10 a 12) faltando apenas um chukker para o fim.
Ainda havia muita emoção por vir no último chukker. Pelón Stirling marcou um gol espetacular, seguido por outro de Lorenzo Chavanne. Isso significava que, faltando pouco mais de um minuto para o fim, o jogo estava incrivelmente equilibrado, empatado em 12. Mas, no final, a sorte estava do lado dos Emirados Árabes Unidos: Tomás Panelo conseguiu acertar as bandeiras no último segundo para selar a vitória. Em uma partida muito intensa e dramática, os Emirados Árabes Unidos conquistaram uma vitória suada por 13 a 12 sobre um adversário de alto nível como La Zeta Kazak.
Sol de Agosto e Los Machitos encerraram um primeiro dia fantástico do Aberto da Argentina com outra partida memorável. Uma partida que contou com um primeiro tempo extraordinário, com nada menos que oito gols no segundo chukker, e foi para o intervalo empatada em 9.
Após quatro empates consecutivos, Sol de Agosto assumiu a liderança no quinto chukker com gols de Facundo Sola, Paquito de Narváez (2) e Benjamín Panelo. No meio desse quinto chukker, Diego Cavanagh marcou para Los Machitos, seguido por um fabuloso gol de backhand de Teo Lacau. O sexto chukker terminou sem gols, mas a ação voltou no sétimo, graças aos jovens e talentosos Paquito de Narváez e Torito Ruiz. Com apenas um chukker restante, Sol de Agosto abriu vantagem de 15 a 12.
O último chukker foi extenuante, e Los Machitos alcançaram o quase impossível. Um excepcional Torito Ruiz marcou três gols sem resposta, empatando o jogo em 15 a 15 e forçando um chukker extra. Segundos após o início da prorrogação, o extraordinário Paquito de Narváez, de 18 anos, pegou a bola, correu em direção às traves e selou a dramática vitória por 16 a 15 para Sol de Agosto, após uma partida memorável, talvez uma das melhores da temporada até o momento.

O placar registra o gol, mas raramente revela onde o jogo foi perdido. Em partidas de polo, o momento decisivo quase nunca é o último toque na bola, e sim a sequência de pequenas decisões que antecedem a finalização. Falhas de posicionamento, leitura equivocada do jogo, escolha errada do cavalo ou atraso de frações de segundo no tempo de bola criam vantagens que o adversário sabe transformar em resultado. Quando uma equipe sofre um gol, a atenção costuma se voltar para quem marcou ou para quem tentou o último bloqueio. No entanto, o erro mais determinante normalmente acontece antes, muitas vezes longe da bola. Um jogador fora da linha correta abre um corredor. Uma leitura tardia obriga um companheiro a se expor. Um cavalo usado no momento errado perde intensidade no lance seguinte. Nada disso aparece no marcador, mas tudo isso constrói o cenário que leva ao gol. O polo é um esporte de ocupação de espaço em alta velocidade. Manter o posicionamento correto não é apenas uma questão estética ou disciplinar, é o que sustenta a estrutura coletiva do time. Quando um jogador abandona sua função sem necessidade, a equipe perde equilíbrio. Esse desequilíbrio não gera um gol imediato, mas cria uma reação em cadeia que favorece o adversário. A falha não é visível para quem observa apenas o resultado, mas é clara para quem lê o jogo. A leitura do tempo de bola é outro ponto crítico. Antecipar não significa apenas correr mais rápido, mas compreender o ritmo da jogada. Chegar cedo demais quebra a linha. Chegar tarde expõe o corpo e o cavalo. O erro de tempo raramente vira estatística, mas quase sempre força uma decisão defensiva de risco, que termina em falta, perda de posse ou espaço concedido. O uso do cavalo também influencia diretamente essas situações. Cada animal responde de forma diferente à intensidade, ao terreno e ao momento da partida. Escolher o cavalo errado para um chukker específico não é um erro visível, mas afeta aceleração, capacidade de recuperação e resposta nos duelos. Quando o cavalo perde rendimento, a jogada seguinte já nasce comprometida, mesmo que ninguém perceba imediatamente. Essas falhas não são erros individuais isolados. Elas impactam o coletivo. Um jogador fora do lugar altera a leitura dos outros três. Uma decisão atrasada desorganiza a recomposição. Um cavalo cansado força ajustes improvisados. O placar só acusa o final desse processo, não sua origem. Por isso, o erro mais caro no polo não é o gol sofrido, mas o que o tornou possível. Ele acontece segundos antes, em detalhes que passam despercebidos para quem olha apenas o resultado. Equipes consistentes são aquelas que reduzem esses erros silenciosos, mantendo leitura, posicionamento e decisões alinhadas durante toda a partida. Entender isso muda a forma de assistir, treinar e jogar polo. O jogo não é decidido apenas nas finalizações, mas na qualidade das escolhas feitas longe do placar. É ali que partidas equilibradas se definem e temporadas vencedoras se constroem.








