Arbitragem: O Papel da Comunicação e dos Avanços Tecnológicos
2 de janeiro de 2026
O polo está em constante evolução, não apenas na habilidade de seus jogadores e na genética de seus cavalos, mas também em suas regras e no treinamento de seus árbitros. Frequentemente atuando nos bastidores, os árbitros são responsáveis não só por garantir o jogo limpo em campo, mas também por manter a ordem e a segurança durante a partida.
Com os avanços tecnológicos, os árbitros encontraram um aliado, obtendo mais ferramentas para a tomada de decisões. Além disso, os sistemas de intercomunicação desempenham um papel fundamental, permitindo que se mantenham em contato durante todos os chukkers e não percam nenhum detalhe.
Gastón Lucero, Árbitro Internacional da AAP, que também atua como árbitro na Tríplice Coroa e já esteve presente em diversas finais do Campeonato Aberto de Polo da Argentina, e Jason Dixon, árbitro internacional da HPA que atua em importantes torneios ingleses, como a Queen's Cup e a Cowdray Gold Cup, responderam algumas perguntas sobre o estado atual da arbitragem, os avanços tecnológicos e o papel fundamental da comunicação em seu trabalho.
Como vocês avaliam o nível dos árbitros em geral?
Gastón Lucero:
“Acho que os árbitros estão trabalhando em um nível muito alto. A atividade se profissionalizou muito nos últimos anos. Incorporamos o uso da tecnologia, realizamos reuniões semanais para revisar jogadas e padronizar critérios, e trabalhamos com um psicólogo esportivo. Houve uma melhora significativa na disciplina e na comunicação com os jogadores, que agora é mais clara e eficaz.”
Jason Dixon:
“No Reino Unido, acho que o nível geral dos árbitros melhorou ao longo dos anos, especialmente na última década. No entanto, a arbitragem é uma disciplina em que é impossível ser perfeito, então tentamos melhorar continuamente (e, claro, muito depende da opinião, então geralmente há mais de uma perspectiva a ser considerada). Não tenho certeza se temos árbitros de alto nível suficientes para atender à demanda geral. Devemos sempre nos esforçar para melhorar individualmente e desenvolver melhores árbitros.”
Quais ferramentas você tem no campo para ajudá-lo a tomar decisões?
G.L.: “Temos sistemas de intercomunicação ao vivo entre os membros da equipe. Isso permite uma comunicação fluida e constante durante toda a partida. Em torneios de alto nível, temos câmeras, incluindo um drone, que permitem ao terceiro árbitro visualizar o jogo de vários ângulos, caso seja necessária uma análise mais aprofundada. Também temos câmeras nos capacetes, embora não usemos o vídeo ou o áudio durante a partida; usamos para avaliar nosso trabalho.”
J.D.: “Como árbitros em campo, usamos rádios com microfone aberto, o que significa que os árbitros e o terceiro árbitro estão em constante comunicação do início ao fim da partida. Nos níveis mais altos do polo no Reino Unido, o terceiro árbitro tem acesso a um serviço de replay de vídeo, o que permite que ele nos ajude a tomar melhores decisões e reduzir erros. Isso é especialmente útil quando o apito soa e o jogo para, pois temos tempo para revisar o vídeo. No entanto, não é tão fácil quando a partida não parou, mas você quer revisar uma jogada.”
Vocês se comunicam por interfone durante todas as jogadas?
G.L.: “Sim, a comunicação é constante. Um árbitro descreve brevemente, ou usa linguagem simples, o que vê do seu lado, e o outro faz o mesmo do seu. Dependendo da jogada, um pode ter uma visão melhor da linha, e o outro pode entender melhor a distância. Quando uma falta é marcada, geralmente já sabemos o que o outro árbitro viu. Uma boa comunicação é essencial.”
J.D.: “Sim, nos comunicamos constantemente durante cada jogada. Às vezes, a tecnologia falha e nem sempre ouvimos com clareza, já que o alcance do rádio às vezes é muito grande. Além disso, quando há muitos jogadores e três árbitros ouvindo por fones de ouvido, a comunicação pode ser difícil e confusa.”
Quais critérios vocês usam para decidir se uma falta é de 30, 40 ou 60 jardas?
G.L.:
“Vários fatores influenciam a decisão. A ideia é melhorar a oportunidade de gol que o jogador tinha no momento da falta. Analisamos a posse de bola, se ele chutou a gol ou passou para um companheiro de equipe, a oportunidade de gol e a gravidade da falta, entre outras coisas.”
J.D.:
“No Reino Unido, ao decidir sobre a posição de uma penalidade, consideramos vários fatores relacionados ao jogo sujo que presenciamos. Isso inclui a direção do jogo, a localização no campo (a equipe defensora está defendendo, etc.?), a frequência das faltas, o risco para o bem-estar dos pôneis e jogadores, os aspectos de perigo/segurança (velocidade e distância, consequências do jogo sujo), os danos à reputação do polo e ao ambiente local, e o espírito esportivo da equipe/jogadores.
Por exemplo, quanto maior o perigo/risco, mais severa a penalidade. Quanto mais diretamente um jogador atacar, maior a probabilidade de a penalidade ser marcada. Se a equipe defensora não tiver defesa no momento da falta, é mais provável que seja marcada uma penalidade por falta fácil. Se cavalos e jogadores forem intimidados ou feridos por faltas imprudentes ou perigosas, penalizaremos os jogadores com uma combinação de cartões amarelos/vermelhos e penalidades.”
Qual a importância do papel do terceiro árbitro?
G.L.: “Hoje, tornou-se um fator crucial. Eles têm a autoridade para marcar uma falta, assim como os árbitros em campo. São muito úteis para observar situações fora de campo que os árbitros em campo não conseguem ver. E têm acesso às câmeras para análise de cada falta. Eles carregam uma grande responsabilidade em momentos-chave do jogo.”
J.D.: “Com o avanço da tecnologia (Comunicações e Revisão de Vídeo), o papel do terceiro árbitro tornou-se, sem dúvida, mais importante.” A tecnologia nos permitiu fornecer informações mais úteis aos árbitros, possibilitando que trabalhemos como uma verdadeira equipe. Os papéis e responsabilidades não são exatamente os mesmos, mas a equipe de três árbitros pode alcançar um nível maior de confiança, consistência e autenticidade entre si.”
O quanto a chegada da tecnologia beneficiou o polo?
G.L.:
“Ajudou tremendamente, e sua incorporação é ótima. Mais tecnologia nos ajuda a trabalhar melhor em campo, reduzir a margem de erro com uma boa comunicação e analisar as jogadas com mais detalhes usando câmeras de diferentes ângulos e drones. E nos ajuda após a partida a fazer uma revisão muito boa e continuar aprendendo.”
J.D.: “O mesmo que eu disse antes. A tecnologia é uma ferramenta útil que chegou para que tenhamos mais informações sobre a mesma jogada.”
O que você acha que deveria ser melhorado na arbitragem?
G.L.:
“Precisamos continuar trabalhando duro para unificar os critérios em todos os níveis. Novos árbitros estão sendo incorporados, e o treinamento e o apoio a eles são essenciais para melhorar a arbitragem no polo de nível inferior/intermediário.” O esporte exige dedicação e profissionalismo cada vez maiores.
Você costuma assistir aos seus jogos quando chega em casa?
G.L.: “Sim, assisto bastante aos meus jogos e sou muito autocrítico. Cometo erros como qualquer outro jogador e tento analisar por que falhei naquele momento para não repeti-los.”
J.D.: “Sim, tentamos revisar nossas decisões e faltas de cada jogo, dia e noite. Idealmente, discutimos isso por telefone ou mensagem de texto com nossos companheiros de equipe. Isso pode ser impossível quando a temporada está muito corrida.”









