La Natividad La Dolfina Vence o 132º Aberto de Palermo 2025
8 de dezembro de 2025
132º Campeonato Aberto de Polo da Argentina: La Natividad La Dolfina conquistou o que buscava, a Tríplice Coroa
E o 132º Campeonato Aberto de Polo da Argentina chegou ao fim. A partida final pelo troféu de polo mais cobiçado do mundo estava marcada para domingo, 7 de dezembro; La Natividad La Dolfina e Ellerstina Indios Chapaleufu estavam prontos para se enfrentar na tão aguardada partida do ano, assistida das arquibancadas lotadas de Palermo. Com um tempero extra – La Natividad La Dolfina, o quarteto de Cañuelas, formado pelos Cambiaso, pai e filho, e pelos bicampeões (2023 e 2024), os irmãos Castagnola, tinha a chance de conquistar nada menos que a Tríplice Coroa.
Após um empate em 2 a 2 no primeiro chukka, Adolfo Cambiaso marcou no segundo, colocando La Natividad La Dolfina em vantagem por 3 a 2. No entanto, Ellerstina Indios Chapaleufu respondeu rapidamente com gols de Facundo Pieres, Gonzalito Pieres e Antonio Heguy. A dupla Pieres-Heguy superou o quarteto de Cañuelas por 3 a 1 e assumiu a liderança por 5 a 3. O terceiro chukka foi o oposto – foi La Natividad quem deixou Ellerstina Indios Chapaleufu para trás, com gols de Adolfo Cambiaso, Barto Castagnola e Jeta Castagnola. La Natividad La Dolfina fechou o terceiro chukka com uma pequena vantagem de 6 a 5.
As coisas mudariam no quarto chukka, que pertenceu a La Natividad La Dolfina – eles dominaram seus adversários surpresos com um impressionante 5 a 0, cortesia de Poroto Cambiaso (3), Barto Castagnola e Adolfo Cambiaso, para conquistar uma impressionante vantagem de 11 a 5 no intervalo, em uma partida que teve um início equilibrado e que se esperava ser disputada. Agora, o Ellerstina Indios Chapaleufu precisava rever sua estratégia para tentar uma virada no segundo tempo.
O quinto chukka teve apenas dois gols, um para cada lado; enquanto Barto Castagnola ampliava a vantagem do La Natividad La Dolfina, Antonio Heguy conseguiu quebrar o placar em dois chukkas sem gols para o Ellerstina Indios Chapaleufu, que parecia determinado a reverter o resultado. Cruz Heguy abriu o sexto chukka com um gol notável, mas o La Natividad La Dolfina respondeu rapidamente com Poroto Cambiaso; apesar da diferença de seis gols a favor dos Cambiasos-Castagnolas, o Ellerstina Indios Chapaleufu não estava disposto a desistir. Duas conversões de pênalti por Facundo Pieres reduziram a diferença para quatro gols (13-9), com dois chukkas restantes.
O sétimo chukka era crucial para o Ellerstina Indios Chapaleufu tentar uma virada e diminuir a diferença no placar. Após um golaço de Jeta Castagnola, o Ellerstina Indios Chapaleufu conseguiu atingir seu objetivo – com gols de Facundo Pieres (2x) e Cruz Heguy, venceu o La Natividad La Dolfina por 3 a 1, reduzindo a diferença para dois gols (14 a 12) com apenas um chukka restante.
O La Natividad La Dolfina venceu o primeiro arremesso lateral no início do último chukka, e Poroto Cambiaso rapidamente encontrou as bandeiras. Mas, faltando pouco mais de um minuto para o fim do jogo, o inesperado aconteceu…
Facundo Pieres sofreu uma distensão muscular que o impediu de continuar. Seu lugar foi ocupado pelo brasileiro Pedro Zacharias, que havia jogado a partida anterior pelo La Aguada – o playoff contra o La Zeta Kazak. Após alguns minutos de incerteza, o jogo recomeçou e o La Natividad La Dolfina começou a se aproximar da Tríplice Coroa. Dois gols de Poroto Cambiaso e um de Jeta Castagnola selaram a vitória – La Natividad La Dolfina venceu por 17 a 13, realizando o sonho que acalentavam desde o dia em que esse quarteto se reuniu.
Mas tem mais: o 132º Campeonato Aberto de Polo da Argentina marca mais um feito notável na lendária carreira de Adolfo Cambiaso. Ele se tornou o único jogador de polo a conquistar a Tríplice Coroa cinco vezes. E com a conquista dessa façanha especial em família – seu filho Poroto e seus sobrinhos, Barto e Jeta. A história foi escrita mais uma vez.

O placar registra o gol, mas raramente revela onde o jogo foi perdido. Em partidas de polo, o momento decisivo quase nunca é o último toque na bola, e sim a sequência de pequenas decisões que antecedem a finalização. Falhas de posicionamento, leitura equivocada do jogo, escolha errada do cavalo ou atraso de frações de segundo no tempo de bola criam vantagens que o adversário sabe transformar em resultado. Quando uma equipe sofre um gol, a atenção costuma se voltar para quem marcou ou para quem tentou o último bloqueio. No entanto, o erro mais determinante normalmente acontece antes, muitas vezes longe da bola. Um jogador fora da linha correta abre um corredor. Uma leitura tardia obriga um companheiro a se expor. Um cavalo usado no momento errado perde intensidade no lance seguinte. Nada disso aparece no marcador, mas tudo isso constrói o cenário que leva ao gol. O polo é um esporte de ocupação de espaço em alta velocidade. Manter o posicionamento correto não é apenas uma questão estética ou disciplinar, é o que sustenta a estrutura coletiva do time. Quando um jogador abandona sua função sem necessidade, a equipe perde equilíbrio. Esse desequilíbrio não gera um gol imediato, mas cria uma reação em cadeia que favorece o adversário. A falha não é visível para quem observa apenas o resultado, mas é clara para quem lê o jogo. A leitura do tempo de bola é outro ponto crítico. Antecipar não significa apenas correr mais rápido, mas compreender o ritmo da jogada. Chegar cedo demais quebra a linha. Chegar tarde expõe o corpo e o cavalo. O erro de tempo raramente vira estatística, mas quase sempre força uma decisão defensiva de risco, que termina em falta, perda de posse ou espaço concedido. O uso do cavalo também influencia diretamente essas situações. Cada animal responde de forma diferente à intensidade, ao terreno e ao momento da partida. Escolher o cavalo errado para um chukker específico não é um erro visível, mas afeta aceleração, capacidade de recuperação e resposta nos duelos. Quando o cavalo perde rendimento, a jogada seguinte já nasce comprometida, mesmo que ninguém perceba imediatamente. Essas falhas não são erros individuais isolados. Elas impactam o coletivo. Um jogador fora do lugar altera a leitura dos outros três. Uma decisão atrasada desorganiza a recomposição. Um cavalo cansado força ajustes improvisados. O placar só acusa o final desse processo, não sua origem. Por isso, o erro mais caro no polo não é o gol sofrido, mas o que o tornou possível. Ele acontece segundos antes, em detalhes que passam despercebidos para quem olha apenas o resultado. Equipes consistentes são aquelas que reduzem esses erros silenciosos, mantendo leitura, posicionamento e decisões alinhadas durante toda a partida. Entender isso muda a forma de assistir, treinar e jogar polo. O jogo não é decidido apenas nas finalizações, mas na qualidade das escolhas feitas longe do placar. É ali que partidas equilibradas se definem e temporadas vencedoras se constroem.








