A jornada de La Dolfina rumo à Tríplice Coroa começou em Palermo
10 de novembro de 2025
O 132º Aberto Argentino de Polo
continuou no sábado, 8 de novembro, com a apresentação de La Natividad La Dolfina, campeã do Aberto de Hurlingham e do Aberto de Tortugas, em sua busca pela Tríplice Coroa, que está vaga desde 2015. Do outro lado, estava La Zeta Kazak, que vinha de uma derrota apertada em sua estreia contra os Emirados Árabes Unidos.
Algumas informações antes de começarmos. Adolfo Cambiaso e Pelón Stirling se reencontraram em Palermo, embora em circunstâncias diferentes. Adolfo jogava pelo La Natividad La Dolfina, e Pelón pelo La Zeta Kazak. Mais uma vez, mesmo em lados opostos, lá estavam eles: o grande ícone do polo mundial e o indomável uruguaio.
Outro fator é que a partida foi disputada com a casa cheia, o que é incomum para jogos na quadra 2 em Palermo, algo que não acontecia desde 2019, quando La Natividad estreou no Aberto.
Agora, vamos aos oito chukkers deste segundo dia em Palermo.
A partida começou com um gol de Barto Castgnola e terminou com outro de Adolfo Cambiaso, dando ao time uma vantagem de 2 a 0. Mas, a partir do segundo chukker, La Natividad La Dolfina assumiu o controle total. La Zeta Kazak se manteve na partida graças aos gols de Nico Pieres e Lorenzo Chavanne (especialmente pela precisão nas cobranças de pênalti), mas La Natividad La Dolfina foi implacável. As esperanças de La Zeta Kazak de ao menos oferecer resistência, como haviam feito contra os Emirados Árabes Unidos, se dissiparam rapidamente, pois o time de Cañuelas era uma força verdadeiramente imparável. Adolfo Cambiaso desempenhou o papel de armador (e até marcou alguns gols), deixando a criação de jogadas para Poroto, Jeta e Barto. Assim, no intervalo, La Natividad La Dolfina vencia confortavelmente por 12 a 3, após um quarto chukker marcado por uma chuva de gols e domínio total de La Natividad La Dolfina.
O segundo tempo não foi muito diferente. Enquanto La Zeta Kazak tentava se manter firme o máximo possível, La Natividad La Dolfina não deu trégua. Ao final do quinto chukker, o jogo estava praticamente decidido, com uma vantagem de dez gols, 15 a 5.
Não há muito mais a dizer sobre uma partida em que a vitória de La Natividad La Dolfina nunca esteve em dúvida. Quase sem esforço, a equipe de 40 gols manteve o ritmo com tranquilidade no sexto e sétimo chukkers; assim, foi Adolfo Cambiaso quem praticamente selou a vitória com um gol espetacular no final do sétimo chukker.
Com uma vantagem confortável de 21 a 9, a partida foi para o último chukker, que terminou empatado em 1 a 1, com gols de Poroto Cambiaso (artilheiro com 8 gols) e Nico Pieres. Mas isso não alteraria o placar final. Foi uma vitória por 22 a 11 para La Natividad La Dolfina.
A Dolfina estreou-se em Palermo e fê-lo ao seu estilo habitual: com uma chuva de golos, jogando em Palermo como se estivessem em casa, organizada e perfeitamente sincronizada na defesa e no ataque. A questão é: será que alguém consegue vencê-las?
Esta história continuará…

O placar registra o gol, mas raramente revela onde o jogo foi perdido. Em partidas de polo, o momento decisivo quase nunca é o último toque na bola, e sim a sequência de pequenas decisões que antecedem a finalização. Falhas de posicionamento, leitura equivocada do jogo, escolha errada do cavalo ou atraso de frações de segundo no tempo de bola criam vantagens que o adversário sabe transformar em resultado. Quando uma equipe sofre um gol, a atenção costuma se voltar para quem marcou ou para quem tentou o último bloqueio. No entanto, o erro mais determinante normalmente acontece antes, muitas vezes longe da bola. Um jogador fora da linha correta abre um corredor. Uma leitura tardia obriga um companheiro a se expor. Um cavalo usado no momento errado perde intensidade no lance seguinte. Nada disso aparece no marcador, mas tudo isso constrói o cenário que leva ao gol. O polo é um esporte de ocupação de espaço em alta velocidade. Manter o posicionamento correto não é apenas uma questão estética ou disciplinar, é o que sustenta a estrutura coletiva do time. Quando um jogador abandona sua função sem necessidade, a equipe perde equilíbrio. Esse desequilíbrio não gera um gol imediato, mas cria uma reação em cadeia que favorece o adversário. A falha não é visível para quem observa apenas o resultado, mas é clara para quem lê o jogo. A leitura do tempo de bola é outro ponto crítico. Antecipar não significa apenas correr mais rápido, mas compreender o ritmo da jogada. Chegar cedo demais quebra a linha. Chegar tarde expõe o corpo e o cavalo. O erro de tempo raramente vira estatística, mas quase sempre força uma decisão defensiva de risco, que termina em falta, perda de posse ou espaço concedido. O uso do cavalo também influencia diretamente essas situações. Cada animal responde de forma diferente à intensidade, ao terreno e ao momento da partida. Escolher o cavalo errado para um chukker específico não é um erro visível, mas afeta aceleração, capacidade de recuperação e resposta nos duelos. Quando o cavalo perde rendimento, a jogada seguinte já nasce comprometida, mesmo que ninguém perceba imediatamente. Essas falhas não são erros individuais isolados. Elas impactam o coletivo. Um jogador fora do lugar altera a leitura dos outros três. Uma decisão atrasada desorganiza a recomposição. Um cavalo cansado força ajustes improvisados. O placar só acusa o final desse processo, não sua origem. Por isso, o erro mais caro no polo não é o gol sofrido, mas o que o tornou possível. Ele acontece segundos antes, em detalhes que passam despercebidos para quem olha apenas o resultado. Equipes consistentes são aquelas que reduzem esses erros silenciosos, mantendo leitura, posicionamento e decisões alinhadas durante toda a partida. Entender isso muda a forma de assistir, treinar e jogar polo. O jogo não é decidido apenas nas finalizações, mas na qualidade das escolhas feitas longe do placar. É ali que partidas equilibradas se definem e temporadas vencedoras se constroem.








